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Os fotógrafos brasileiros estão finalmente descobrindo que a fotografia pode ser utilizada para defender suas mais variadas causas. Quando você coloca conteúdo em sua imagem ela deixa de ser uma simples foto e passa a ser algo mais. Em alguns casos ela se torna arte, em outros apenas um efetivo e competente meio de comunicação.  Pensar um ensaio fotográfico com conteúdo é o primeiro passo para se livrar das amarras do tecnicismo na fotografia e finalmente se sentir livre. Mas, nem sempre concordamos com a mensagem.

Hoje decidi colocar a mão em um vespeiro. Nos últimos tempos temos visto as mais variadas causas sendo defendidas pelos chamados SJW (Guerreiros da Justiça Social). São pessoas que defendem sua visão de um mundo "mais justo" com unhas e dentes, mesmo que essa visão não seja tão justa assim, Uma das vertentes é a que luta contra a gordofobia. Isso mesmo, contra o preconceito contra pessoas gordas. Esse preconceito existe? Sim, claro, passei por ele a minha vida inteira, mas ele não me impediu de fazer faculdade, estudar fotografia e atingir meus objetivos. Na verdade, a obesidade, e não o preconceito, é que limitam minha vida.

Na semana do Natal, o fotógrafo  Israel Reis publicou em seu instagram um projeto fotográfico que tem por objetivo discutir a miscigenação e a questão da gordofobia. Para isso, realizou um ensaio fotográfico com bailarinas plus size (mulheres brancas e negras) em uma antiga fazenda que foi construída durante o período da escravidão no Brasil. Uma das modelos foi sua própria esposa, que é uma das dançarinas plus size da cantora Anita. O ensaio se chama "Mulheres, miscigenadas, gordas e felizes". Segundo o fotógrafo, o objetivo do ensaio fotográfico era debater o preconceito. Veja abaixo uma das imagens deste ensaio.

Que existe um preconceito contra gordos na sociedade isso é real. O ser humano não gosta muito daquilo que foge da normalidade vigente. Mas, o fato de ter o direito de não ser prejudicado simplesmente por conta de sua forma física não quer dizer que devemos aceitar a obesidade mórbida como sendo normal. Isso é um caso de saúde pública. É ótimo ver todo mundo dizendo que se aceita e se gosta, mas a saúde está sendo prejudicada e esse tipo de campanha ou mensagem pode levar outras pessoas a pensarem que esse estado físico é normal. Não é. Junto com a obesidade temos todos os tipos de problemas como diabetes, hiper tensão, problemas cardíacos e respiratórios, distúrbios do sono, etc. Muitos podem dizer que são gordos e não possuem esses problemas, mas isso é só temporário e enquanto for jovem. Um dia o preço vai ser pago.

Ser obeso não é normal. Procure um endocrinologista e um nutricionista. Comece uma dieta balanceada. Crie uma rotina de exercícios. Perca peso. Não é impossível. Todo mundo é capaz, só é preciso a força de vontade. Sua vida vai mudar, sua disposição vai aumentar e você vai perceber que a vida pode oferecer muito mais do que você têm.

O Manowar sempre foi uma banda zoada, principalmente no começo da carreira. Eram 4 caras com corpo besuntado de óleo, roupas que lembravam os quadrinhos do Conan e uma temática de morte aos falsos (seja lá o que isso queira dizer). Tudo muito engraçado e, por quê não, gay. Mas, eles pagavam de machões, andavam em suas motos e se diziam os arautos do verdadeiro Heavy Metal. Vejam a foto abaixo e tirem suas próprias conclusões.

Mas, a música dos caras são muito legais. Um Metal simples e direto, sem firulas, com nível técnico até limitado, mas empolgante. Resumindo, sou fã da banda, embora tenha várias críticas quanto há alguns posicionamentos da galera.

Quando era moleque, no começo de minha grande jornada no mundo do rock, tive em minhas mãos o vinil do álbum Fighting de World que foi lançado em 1987. E digo que foi uma mudança gigantesca em minha cabeça. Foi o primeiro disco desse tipo de música que tive acesso e algumas das composições do álbum são avassaladoras. O lado B do disco é absolutamente perfeito com 3 músicas incríveis: Defender, Holy War e Black Wind, Fire and Steel.

A música Defender começa com um dedilhado épico na guitarra e um discurso feito por  Orson Welles. O disco foi lançado em 1987, dois anos depois da morte de Welles, mas temos aqui sua voz imortalizada. Essa é, sem dúvida, a música que define, para mim, o que é o Manowar.

O lado A do disco é menos épico, mas possui composições muito legais, como a faixa título e Carry On. Aliás, essa última seria uma composição que nunca esperaria encontrar em um disco da banda. O ritmo é muito alegrinho, quase uma música Glam Rock. Mas, é muito boa e desafio qualquer um a não aumentar o volume quando ela começa.

O disco que tive em mãos era emprestado. Antes de devolver gravei uma fita K7 que se perdeu com o tempo. Quando as primeiras lojas de CD apareceram na cidade achei uma que aceitava encomendas. Sabia que o disco não tinha sido lançado oficialmente no Brasil e todas as cópias seriam importadas. Mas, disse ao vendedor que queria pedir o CD e não importava o preço. Só duas vezes na vida fiz isso.

Se você gosta desse estilo de música, então Fighting de World é uma produção para ter em sua coleção. É só não ligar para esse bando de homens besuntados em óleo e com cara de mal.

P.S. A capa do disco foi desenhada por  Ken Kelly que foi responsável por desenhar algumas revistas em quadrinhos do Tarzan e do Conan. O artista também trabalhou com artes para bandas como Rainbow e Kiss.

Nos últimos tempos, os movimentos de direita e extrema direita do Brasil tem atacado impiedosamente a Lei Rouanet. Criada para o fomento da cultura no Brasil, ela pode não ser perfeita, mas é uma das armas mais poderosas que temos para democratizar a cultura. Movimentos como o MBL atacam o projeto dizendo que ele favorece a elite cultural do Brasil e que apenas uns poucos tem acesso aos financiamentos. É uma grande balela, mas algumas coisas realmente precisam ser mudadas. Porém, ao contrário do que esses movimentos pregam, nós devemos sanar os problemas e não matar o a iniciativa.

O programa funciona mais ou menos assim. Você escreve um projeto e da entrada com o pedido de renuncia fiscal. Esse projeto é avaliado quando a viabilidade de execução e valores a serem captados. Quando o projeto passa por essas avaliações o Ministério da Cultura libera os proponentes a captarem uma certa quantia. Cabe agora aos organizadores baterem na porta das empresas, mostrarem o projeto e convencerem as empresas a destinarem parte dos seus impostos para as atividades. Muitos projetos acabam conseguindo captar a quantia liberada, e outros não.

A meu ver é nesse ponto que está o grande problema. As empresas tendem a liberar a porcentagem de seus impostos e, consequentemente, seus nomes como patrocinadores para artistas já conhecidos e espetáculos ou exposições que já possuem público garantido. Artistas e projetos mais humildes tendem a sofrer nesse ponto, pois grandes empresas não fazem questão de vincular seus nomes a projetos e manifestações de pouca penetração no grande público. É justamente esse mecanismo que deveria ser revisto na Lei. Projetos que poderiam se sustentar sem a necessidade desse tipo de financiamento deveriam ser vistos com mais rigidez e  criar alguma forma de favorecer o pequeno artista.

Nessa semana, a produtora Agilidade Entretenimento conseguiu aprovar um financiamento de 8,9 milhões pela Lei Rouanet para uma exposição mostrando a vida e a obra da apresentadora de TV Xuxa. Pelo o que foi publicado na mídia, a exposição vai privilegiar principalmente a época do Xou da Xuxa que foi ao ar pela TV Globo. As críticas já começaram nas redes sociais. Mas, eu digo que nada de errado foi feito. O projeto foi escrito dentro das normas, passou pelas avaliações e foram emitidas as permissões para captação de recurso.

A pergunta, a meu ver, seria: esse projeto teria capacidade de se manter sozinho e sem o apadrinhamento do poder público? Talvez sim, talvez não. O que importa que é que a possibilidade de participar dos incentivos da Lei estão disponíveis para todos. Criticar esses casos é fácil, mas ninguém dá atenção a outros milhares de pequenos projetos que estão se beneficiando das renúncias fiscais. É notório que o Governo faz muito pouco pela cultura. Tentar eliminar as poucas possibilidades que temos de financiamento da arte é só mais um passo no projeto destes movimentos de acabar com o que resta de pensamento crítico na sociedade.