Pular para o conteúdo

Eu cresci assistindo filmes que mostravam o Oste Selvagem nos Estados Unidos. Eram um gênero quase fixo no cinema alguns aos atrás e que veio perdendo força com o tempo. No começo tudo era glamouroso com os filmes de Hollywood onde o mocinho sempre era destemido e perfeito. Depois tivemos os filmes italianos (quem diria) que mostrava uma galera mais suja, em cidades sujas e onde o bandido era, em muitos casos, o protagonista do filme. A Rede Record (antes dos bispos) tinha uma sessão semanal chamada Bang Bang à Italiana.  Porém, o gênero foi redefinido com o filme Os Imperdoáveis de Clint Eastwood. E agora a Netflix veio para fazer a felicidade da galera saudosista desse tio de história.

A série Godless, que está disponível na Netflix, compartilha da visão que foi mostrada em Os Imperdoáveis. Ela mostra um Velho Oeste onde as coisas são difíceis, sujas e extremamente violentas. A Lei é apenas uma tentativa de alguns homens em fazerem a coisa certa e nem sempre funciona. O enredo da história é bem interessante. Como pano de fundo conhecemos a cidade de La Belle que é formada quase que exclusivamente por mulheres. Esse fato deu se por conta de um acidente na mina da cidade que matou quase todos os homens. Como história principal temos o fora da lei Frank Griffin (Jeff Daniels) que aterroriza o Novo México com chacinas dignas dos filmes mais violentos, e que persegue implacavelmente Roy Goode (Jack O'Connell), que já foi seu parceiro e agora é seu pior inimigo. Claro que todo esse rolo vai acabar na cidade cheia de mulheres e parte do problema é se elas vão decidir ou não participar dessa bagunça.

A grande força da série é ter apostado na construção dos personagens principais. Gostamos muito do xerife Bill McNue (Scoot McNairy) que já foi um grande e rápido pistoleiro, mas agora está ficando cego e não quer contar para ninguém da pequena cidade de mulheres. Também simpatizamos com o sub-xerife Whitey Winn (Thomas Brodie-Sangster) que não teve medo de se apaixonar por uma mulher negra em uma época pouco propícia para isso. Mas, são as mulheres que brilham na série. Temos Mary Agnes (Merritt Wever) viúva do prefeito e irmã do xerife, que teve a coragem de tomar as rédias da cidade e, de quebra, se apaixonou por Callie Dunne (Tess Frazer) a ex-prostituta da cidade que se tornou professora. Também temos Martha Bischoff (Christiane Seidel) uma alemã que todos acham louca por adorar andar nua pela cidade, mas que na hora da pancadaria se mostra com a mira certeira. E, por fim, temos Alice Fletcher (Michelle Dockery) a rancheira que encontra o pistoleiro Roy Goode quase morto e salva sua vida (se apaixonando por ele no processo) e é o motor principal que coloca toda a trama em andamento. 

Como disse, o desenvolvimento dos personagens é o ponto alto da série, visto que a maior parte das críticas às séries originais da Netflix é a enrolação da história para termos mais e mais episódios. Não é raro termos séries que seriam melhor desenvolvidas em metade dos episódios que são filmados. Godless possui apenas 7 episódios bem resolvidos e com uma história bem contada. Aqui temos pessoas que se encontram em uma trama bem amarrada e que caminham inevitavelmente para um final trágico e épico.

Vale a pena reservar um dia de sua vida e fazer uma maratona para conhecer essa história incrível.

E ontem, dia 27 de agosto, a HBO exibiu o último episódio da 7º temporada de Game of Thrones. Se você está vivendo nos últimos 7 anos em uma caverna, ou estava em coma, e não sabe do que estou falando, então vai aqui uma pequena explicação. A série produzida pela HBO é a adaptação televisiva da série de livros Cronicas de Gelo e Fogo escrito pelo americano George R. R. Martin. A saga segue as ambições, batalhas e traições das famílias nobres de um continente fictício chamado Westeros. Vale a leitura. Mas, o resto deste texto é para quem acompanha a saga e assistiu ao episódio de ontem.

A sétima temporada foi muito curta, se comparada com as outras. Ao contrário dos 12 episódios tradicionais, tivemos apenas 7. A explicação apresentada para isso é por conta do alto custo de produção por episódio. Porém, a meu ver, não dá mais para enrolar a história. O planejamento inicial é que cada temporada focasse em um dos livros da saga. Tanto que a série leva o nome do primeiro volume (depois de Guerra dos Tronos tivemos Fúria dos Reis, A Tormenta de Espadas, O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões). Porém, o que todos temiam aconteceu. A série se desenvolveu mais rápido do que a capacidade do autor em concluir a saga de livros. O próximo volume, Ventos do Inverno, já foi adiado várias vezes e não tem previsão de ser lançado.

Por isso, os produtores tiveram que avançar a história e partir para sua conclusão sem ter a história dos livros como base. Esse sétima temporada tem como função realmente dar uma finalização. Todas as intrigas políticas ainda continuam, mas o foco é na ação. Os diferente núcleos se encontraram e, até certo ponto, convergiram para a grande batalha contra o Rei da Noite e seu exército. Grandes mistérios (que se iniciaram nos livros) foram revelados e tudo caminha para o descobrimento do verdadeiro herdeiro do trono. E pelo menos dois personagens odiados tiveram a devida justiça.

Porém, a impressão que fica é que tudo aconteceu muito rápido. Daenerys levou seis temporadas para finalmente voltar para casa e parece que quer resolver tudo em apenas 7 episódios. Porém, a série continua cativante. Foi uma longa tradição cativando um público gigantesco e isso não de desfaz de uma hora para outra. Muita gente reclamou que o roteiro dessa temporada está muito enxuto, muito simples, mas voltamos à necessidade de conclusão da história. Uma hora isso precisa terminar. Do ponto de vista da diversão tudo continua no lugar. Em pelo menos 3 episódios o seu coração vai parar no final. Tudo o que os verdadeiros fãs querem ver.

O ponto negativo, a meu ver, é que a série está dando algumas conclusões que todos os fãs dos livros gostariam de ver. Como a identidade verdadeira de Jon Snow. Isso é negativo pelo fato de sabermos que  George R. R. Martin é uma pessoa muito difícil de lidar e que, provavelmente, ele não vai dar aos livros o mesmo final que a série, mudando consideravelmente o destino dos personagens. Esperemos ter então duas épicas conclusões, uma na TV e uma nos livros.