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Ontem foi o lançamento de Liga da Justiça (Justice League- 2017) no Brasil e eu estive lá para acompanhar esse evento. Um evento de muita alegria, pois cresci acompanhando as incríveis histórias destes personagens. Quando era criança, nos anos 80, apesar da crise econômica que o país passava, meu pai sempre comprava 1 revista em quadrinho por mês para mim. Foi esse pequeno ato paterno que me despertou o interesse pela leitura e pelos super-heróis. Embora os heróis da Marvel também tenham participado desse momento, são os personagens da DC que moram no meu coração.

Um exemplo disso é que gostei de quase todos os filmes feitos até agora. Homem de Aço e Batman Vs Superman estão aqui na estante de casa e gosto muito dos dois. Porém, tudo o que envolve o Superman, meu ídolo, não pode ser analisado imparcialmente por mim. O filme da Mulher Maravilha, do ponto de vista do roteiro e diversão, é superior a esses dois, mas isso todo mundo concorda. E, infelizmente, Esquadrão Suicida não está no mesmo nível, embora possa ser uma boa diversão de final de fim de semana.

Liga da Justiça começa mostrando que 3 caixas maternas estão perdidas pela Terra. Elas ficaram por aqui por conta de uma tentativa fracassada de invasão das forças de Dark Side, comandadas pelo Lobo da Estepe, há mais de 5 mil anos. Agora, com a morte de Superman e o enfraquecimento das forças terrestres, o Lobo da Estepe resolveu voltar e acabar o que começou. Para tanto, ele precisa das caixas que ficaram sob a guarda dos Atlantes, das Amazonas e dos homens. Sentindo a chegada de um grande inimigo, Batman começa a procurar pessoas para montar uma equipe que seja capaz de defender o planeta.

Uma histórias simples porém bem desenvolvida. É basicamente um filme de origem que não fica muito tempo falando sobre isso. O público já conhece os personagens. Sei que a Marvel decidiu apresentar todos os membros dos Vingadores antes para um novo público, mas com a DC isso não é preciso. Todos conhece, os personagens. Superman, Batman e Mulher Maravilha tiveram seus filmes, mas Flash, Aquaman e Cyborg apareceram nessa fase cinematográfica pela primeira vez. E você sabe perfeitamente quem são e o que podem fazer.

Em comparação com os filmes anteriores a coisa aqui está mais leve. Existem toneladas de piadas e existem toneladas de cenas que foram feitas para os leitores dos quadrinhos (um presente). Mas, não vejo aqui as piadas como galhofas. São aquelas piadas que até combatentes fazem durante os piores momentos para aliviar a pressão da batalha. O Flash (muito melhor do que a versão televisiva) é o ponto principal da maior parte das piadas. E não que ele seja um piadista. É o jeito natural dele por estar totalmente deslumbrado com todo aquele mundo. Ele é praticamente nós, os espectadores, que entrou em um mundo maravilhoso de lendas e heróis e ainda não sabe muito bem como lidar com isso.

Batman deixou de ser tão amargurado como no filme anterior. Algumas pessoas estão criticando essa mudança do homem morcego. Mas, por mais que as pessoas critiquem o final de Batman Vs Superman, a experiência mudou o herói. Ele era um vigilante amargurado que respondia a tudo com extrema violência. Isso ficou um pouco para traz com a possibilidade de ter esperança, ver a bondade e altruísmo em outros heróis, ver que existe um caminho diferente. Ele ainda é o Batman, mas se permite ter confiança e, acima de tudo, agora ele tem amigos. Destaque para a piada envolvendo uma das frases mais icônicas do Batman no filme anterior.

Mulher Maravilha continua maravilhosa (perdão do trocadilho). Ela continua focada, poderosa, valente e chutando bundas. Muitos questionaram a extensão dos poderes da personagem, mas ela sempre foi digna de tamanha força. Não sei qual é o espanto da galera. Aquaman está perfeito. Fora todo o estigma que o personagem possuí, conseguiram fazer dele um heróis (ou anti herói) atormentado, bruto e pronto para a pancadaria. Nada parecido com o antigo desenho dos SuperAmigos. E o Cyborg completa a equipe como o personagem mais amargurado. Eu fiquei meio preocupado com sua participação. Lembro mais do personagem como um membro dos Novos Titãs e achei que haveriam personagens mais clássicos da liga para participar do filme, mas tudo se encaixou muito bem.

O filme é bom? Sim, é excelente. Eu pulei, dei risada e me contorci na cadeira do cinema. As lutas são bem bacanas e bem filmadas (nada de corte rápido, você sabe o que está acontecendo). Os personagens são icônicos e o entrosamento é muito bom. O arco final do filme é um exemplo de como uma equipe deve lutar em conjunto. Mas, lembre-se. São personagens de histórias em quadrinhos. São seres superpoderosos que estão ai apenas para salvar o mundo. É 100% pura diversão. Não vai mudar o universo e nem te fazer pensar nas grandes questões da vida. Você entra no cinema, senta na cadeira e apenas se diverte. Essa é a graça da coisa.