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Olha só pessoas, estamos atrasados, mas o número #007 do Sons da Gruta acaba de chegar. Essas últimas duas semanas foram muito corridas por conta da mudança e não consegui colocar esse volume do nosso podcast no ar antes. Hoje eu e o Rafael vamos falar de bandas que gostamos elegendo os álbuns bons e ruins de cada uma. Um papo de boteco entre amantes da música pesada e que começaram nessa estrada com uma década de diferença (ou mais). Aliás, a diferença de idade é até bacana para mostrar as diferentes influências de estilos dentro do rock pesado.

Citado durante os recadinhos:

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O Manowar sempre foi uma banda zoada, principalmente no começo da carreira. Eram 4 caras com corpo besuntado de óleo, roupas que lembravam os quadrinhos do Conan e uma temática de morte aos falsos (seja lá o que isso queira dizer). Tudo muito engraçado e, por quê não, gay. Mas, eles pagavam de machões, andavam em suas motos e se diziam os arautos do verdadeiro Heavy Metal. Vejam a foto abaixo e tirem suas próprias conclusões.

Mas, a música dos caras são muito legais. Um Metal simples e direto, sem firulas, com nível técnico até limitado, mas empolgante. Resumindo, sou fã da banda, embora tenha várias críticas quanto há alguns posicionamentos da galera.

Quando era moleque, no começo de minha grande jornada no mundo do rock, tive em minhas mãos o vinil do álbum Fighting de World que foi lançado em 1987. E digo que foi uma mudança gigantesca em minha cabeça. Foi o primeiro disco desse tipo de música que tive acesso e algumas das composições do álbum são avassaladoras. O lado B do disco é absolutamente perfeito com 3 músicas incríveis: Defender, Holy War e Black Wind, Fire and Steel.

A música Defender começa com um dedilhado épico na guitarra e um discurso feito por  Orson Welles. O disco foi lançado em 1987, dois anos depois da morte de Welles, mas temos aqui sua voz imortalizada. Essa é, sem dúvida, a música que define, para mim, o que é o Manowar.

O lado A do disco é menos épico, mas possui composições muito legais, como a faixa título e Carry On. Aliás, essa última seria uma composição que nunca esperaria encontrar em um disco da banda. O ritmo é muito alegrinho, quase uma música Glam Rock. Mas, é muito boa e desafio qualquer um a não aumentar o volume quando ela começa.

O disco que tive em mãos era emprestado. Antes de devolver gravei uma fita K7 que se perdeu com o tempo. Quando as primeiras lojas de CD apareceram na cidade achei uma que aceitava encomendas. Sabia que o disco não tinha sido lançado oficialmente no Brasil e todas as cópias seriam importadas. Mas, disse ao vendedor que queria pedir o CD e não importava o preço. Só duas vezes na vida fiz isso.

Se você gosta desse estilo de música, então Fighting de World é uma produção para ter em sua coleção. É só não ligar para esse bando de homens besuntados em óleo e com cara de mal.

P.S. A capa do disco foi desenhada por  Ken Kelly que foi responsável por desenhar algumas revistas em quadrinhos do Tarzan e do Conan. O artista também trabalhou com artes para bandas como Rainbow e Kiss.

O tempo passa, o tempo voa. Se você reconheceu esse fragmento então você tem idade para lembrar do lançamento do MTV Unplugged de Eric Clapton. A MTV, para quem é novo, organizava o evento Unplugged onde convidavam um grande astro da música para uma sessão acústica de suas principais músicas. Também houve uma versão nacional chamada Acústico MTV que foi responsável pelo ressurgimento comercial de muitas bandas de rock da década de 80 ( o Ira! principalmente). Mas, a versão brasileira do programa sempre teve um monte de firulas e não era totalmente acústica (o do Legião Urbana escapa dessa).

Eric Clapton já era considerado um dos monstros da música quando foi convidado para gravar esse Unplugged. E, para perpetuar o crime perfeito, ele cercou se de grandes músicos para fazer versões calmas, porém animadas, de grandes sucessos de sua carreira e do blues como um todo. Junto com ele estavam o baixista Nathan East, o baterista Steve Ferrone, o percussionista Ray Cooper, o pianista Chuck Leavell, o guitarrista Andy Fairweather Low e as backings vocals Katie Kisson e Tessa Niles.

Junto a esse time vencedor, temos canções arrebatadoras que ficaram incríveis nas versões mais intimistas do disco. Destaques vão para Lonely StrangerRunning On FaithWalkin’BluesSan Francisco Bay Blues e Malted Milk. Porém, não podemos negar que duas músicas são as principais deste disco. A primeira é Layla que ficou absurdamente diferente do original, mas ganho uma força absurda com os acordes mais lentos. E a outra é Tears In Heaven, composta em homenagem ao filho morto do guitarrista e que carrega uma carga emocional absurda. Porém, o trunfo do disco é o clima de música de barzinho que permeia toda a apresentação. Sem firulas, sem enfeites, sem grande tecnologia. Apenas uma galera muito talentosa executando músicas incríveis para uma plateia pequena, porém muito animada.

O MTV Unplugged de Eric Clapton foi lançado em 25 de agosto de 1992 e vendeu a bagatela de 26 milhões de cópias em todo o mundo e ganhou  três Grammy Awards em 1993. Eu demorei muito para comprar esse disco, pois o preço dele sempre foi altíssimo e demorou muito a entrar em patamares aceitáveis. Hoje você pode encontrar ele em bancas de promoções (se você gosta, assim como eu, de ter o CD em sua casa). Porém, não existe motivo para não ter esse disco em casa se você gosta de boa música.

Nada melhor do que começar essa viagem musical com um dos discos mais icônicos da carreira solo de Roger Waters, baixista e vocalista original do Pink Floyd. Lançado em 1992, Amused to Death não teve uma recepção calorosa pelos críticos americanos, mas foi muito bem cotado entre os antigos fãs do Pink Floyd. Na realidade, o disco é denso e uma audição um pouco espinhosa para os não iniciados no estilo.
Eu conheci o disco em 2012 quando participei de um encontro de audiófilos em Londrina-PR. Ele estava disponível para audição em uma das salas. Foi amor a primeira vista, mesmo tendo ouvido apenas a segunda faixa "What God Wants, Part I". Outras faixas poderosas são The Bravery Of Being Out Of Range,Too Much Hope e Amused to death.
O disco conta com participações especiais de Jeff Beck e Don Henley do Eagles.